Wednesday, April 25, 2007

Torva, febril, torcicolosamente,
Numa espiral de eléctricos volteios,
Na cabeça, nos olhos e nos seios
Fluíam-lhe os venenos da serpente.

Ah! que agonia tenebrosa e ardente!
Que convulsões, que lúbricos anseios,
Quanta volúpia e quantos bamboleios,
Que brusco e horrível sensualismo quente

O ventre, em pinchos, empinava todo
Como réptil abjecto sobre o lodo,
Espolinhando e retorcido em fúria.

Era a dança macabra e multiforme
De um verme estranho, colossal, enorme,
Do demónio sangrento da luxúria!

João da Cruz e Sousa
Desta vez o umbiguinho de vénus decidiu colocar a poesia completa, visto que é um soneto dedicado exclusivamente à dança do ventre, porém a escolha dos trechos é evidente.

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